Participe a distância dos Círculos de Cultura
1) Pelo site do estudiolivre.org
Acesse a página
aovivo.estudiolivre.org, e neste acesse o áudio do círculo de cultura referente aquele que você deseja participar.
2) Via programa VLC
Para acessar a transmissão, acesse os endereços pelo programa VLC (conforme procedimentos descritos na página Participe a Distancia):
Círculo de Cultura 1 (Cidadania Planetária) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala1
Círculo de Cultura 2 (Educação de Adultos) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala2
Círculo de Cultura 3 (Educação Popular 1) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala3
Círculo de Cultura 4 (Educação Popular 2) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala4
Círculo de Cultura 5 (Educação Cidadã 1) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala5
Círculo de Cultura 6 (Educação Cidadã 2) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala6
Círculo de Cultura 7 (Educação Cidadã 3) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala7
Círculo de Cultura 8 (Educação Cidadã 4) =>
http://estudiolivre.org:8000/fpfsala8
Para submeter questões aos círculos de cultura, envie e-mail para:
circulos@forumpaulofreire.org
Acesse os procedimentos referentes aos requisitos técnicos para participar:
http://www.paulofreire.org/FPF2008/ParticipeaDistancia
Qualquer dificuldade, envie e-mail para
suporte@forumpaulofreire.org
Paulo Freire vive e faz viver melhor
17/09/2008 - Marília Arantes - Le Monde DiplomatiQUE
Às vésperas do que seria seu aniversário de 87 anos, o mesmo palco que recebeu Paulo Freire na volta do exílio - na mesma faculdade que concentrou pensadores da Teologia da Libertação e onde o mestre lecionou nos últimos anos de sua vida - convidados dividiram experiências da Pedagogia do Oprimido no Hemisfério Sul. A discussão, mediada por Marina Felldman, acerca do Legado de Paulo Freire, aconteceu na tarde do dia 17 de setembro, no Tuca, teatro da PUC-SP. A quarta Conferência do Fórum Paulo Freire apresentou um propósito claro: a resistência pacífica, mas nunca passiva. Educadores mostraram, à imagem de Freire, que “um mundo menos malvado” não somente é possível como necessário.
A coordenadora da Cátedra Paulo Freire, Ana Maria Saul, abriu o debate explicando sua abordagem para a formação de jovens educadores. Pautada pela prática visa romper com a dicotomia em busca de coerência. Ana lembrou dos anos de convívio com o mestre, quem lhe ensinou a envolver os sonhos dos alunos nos sonhos de professora. Ao encerrar, emocionada, citou Cecília Meireles (“A vida só é possível, reinventada”) para dizer: “Paulo Freire nos convoca profundamente para a reinvenção da vida, de modo que essa possa contribuir para um mundo mais humano e justo para todos”.
Aos “amigos, colegas e parceiros de luta”, Reinaldo Fleuri, da Universidade Federal de Santa Catarina, declamou: “Paulo Freire vive! No nosso modo de pensar, na força e atualidade de idéias que permeiam a luta pela construção de uma proposta social-pedagógica”. Contrapondo o autoritarismo, Fleuri propôs a tolerância - seu instrumento transformador. “Estruturas autoritárias só são destruídas por meio do diálogo. O silêncio da comunidade, síntese de todas as outras formas de silenciamento - da vontade, da mente, da palavra, do corpo – é, ao mesmo tempo, a arma contra o medo: o recuo é o espaço da resistência”. Com os pés no chão, a partir da simplicidade da frase de Freire “O silêncio se rompe falando e se fala autenticamente agindo!”, colocou em xeque: “Qualquer contribuição intelectual que não tenha a capacidade de colocar seu saber na prática e não seja capaz de descolonizar o saber e o poder”.
Falando em “colonialidade embutida”, em seguida apresentou-se Florenço Varela, atual Diretor Geral de Alfabetização e Educação de Adultos do Ministério da Educação de Cabo Verde. Rememorou a imensa contribuição de Paulo Freire nas Ilhas Crioulas do Atlântico, terra de Amílcar Cabral, e um dos países africanos em que Freire mais atuou por meio do Instituto de Ação Participativa (IDAC), criado em Genebra, em 1971. Varela acrescentou a reafirmação do seu papel à aplicação do método: “Não podemos esquecer da horizontalidade na relação entre coordenadores e alfabetizadores nos programas de formação. Quando são negadas as liberdades, rompe-se a harmonia”.
Já Oscar Jara, ativista-alfabetizador peruano radicado na Costa Rica, logo provocou a platéia com uma pergunta geradora: “O que significa reinventar Paulo Freire?” Ilustre entre os presentes, o poeta Thiago de Mello respondeu: “Tentar com fidelidade e amor prolongar o caminho que ele percorreu”. Assim, Jara deu seqüência à sua fala, dividindo reinvenções de um perguntador de si mesmo: “Não somente a educação popular dá a dimensão política, mas esta também à educação popular”.
“Mora na fantástica infinitude do conhecimento a riqueza para o reinventar”, disse Eliete Santiago, orientanda de Paulo Freire e, atualmente, pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco. Ela, como definiu - voz de mulher, negra, nordestina - propôs: “A criação de uma nova ética parte da ousadia em semear valores alternativos por meio da Pedagogia da Humanização – coisa que o capitalismo não pode oferecer”.
Por fim, Ivor Baatjes, do Instituto Paulo Freire na África do Sul, expôs as dificuldades locais à democracia. A depreciação do âmbito público tornou-se realidade, e mais que isso, é a forma que permeia a separação, pela dificuldade de acesso. Da mesma forma, as barreiras à educação, já que “controle e punição deixaram como resultado o medo da docência, na tentativa de fazer calar as vozes contrárias, que denunciam o modelo implantado”. Para Baatjes, a opressão define os “consumidores pós-modernos”: estão limitados a consumir a imagem do consumo. Porém, vale lembrar um conceito especialmente importante: estamos condicionados, mas não determinados. “É preciso se posicionar com coerência em relação ao fatalismo histórico e a crítica ao neoliberalismo”.
Paulo Freire foi exemplo da eficácia da metodologia que criou
17/09/2008 - Janaina Abreu
A primeira conferência da quarta-feira (17) teve como tema a Pedagogia do Oprimido: 40 anos depois. Ângela Antunes, diretora Pedagógica do Instituto Paulo Freire, coordenou esta terceira mesa de conferências do VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire apresentando o professor Celso de Rui Beisiegel, da USP, um dos principais conhecedores da obra freiriana no Brasil, autor de Política e Educação Popular: a teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil (Liber Livro, 2008).
Em sua palestra, Beisiegel fez uma avaliação da trajetória das quatro décadas da Pedagogia do Oprimido. “O ponto de partida do que vivemos hoje foi as 40 horas de Angicos.” O método Paulo Freire, que teve suas raízes na miséria do Nordeste, em particular em Recife, ganhou fama a partir de Angicos (Rio Grande do Norte). Tratava-se de um processo de alfabetização de adultos, aliada à conscientização e à politização para transformar a realidade em uma sociedade democrática, tornando-a mais humana e, conseqüentemente, mais justa.
Segundo Beisiegel, o material didático produzido naquela época apontava a transformação da sociedade pelo voto, a arma do povo. Porém, o processo de discussão dessa reforma nacional na educação foi interrompido com o golpe militar de 1964 e a proposta de Paulo Freire, descartada, desconsiderada pelo novo regime.
Já no Chile, onde se exilou, Paulo Freire foi submetido a um desafio cotidiano por setores de esquerda que o questionavam sobre a importância e a validade de suas práticas educativas. “Paulo Freire se reeducou. Foi um dos melhores alunos e exemplos de eficácia da metodologia que ele mesmo criou.” Neste período, concebeu a Pedagogia do Oprimido, publicada primeiramente no EUA, em 1968. No Brasil, permaneceu na clandestinidade até 1975 quando foi, finalmente, pela primeira vez liberada por aqui. A partir daí, esta obra continua sendo publicada e comentada em vários idiomas e nos diferentes continentes.
Beisegel analisando a bibliografia de Pedagogia do Oprimido, chama-nos a atenção para o contínuo processo de busca de conhecimento e informação que caracterizava Paulo Freire. A partir desta obra já se pode observar seus novos referenciais de esquerda, tais como: Mao Tsé-Tung, Hegel, Dom Helder, Camilo Torres, Fanon, Amoroso Lima, Marx e muitos outros. Paulo Freire, com sua sensibilidade apurada, vai se tornando cada vez mais radical, jamais sectário.
A obra reafirma a esperança
Alipio Casali, da PUC-SP, contribuiu para a reflexão dos participantes fazendo a leitura de trechos de sua palestra A Pedagogia do Oprimido: de clandestina a universal. Casali enfocou o caráter “clandestino” da obra de Paulo Freire, que se tornou fundamental e universal. Falando sobre essa cladestinidade, comentou fatos curiosos da época, tais como a história de uma freira americana que para ler Paulo Freire colocava capas religiosas nos livros. Lembrou também um encontro de Freire com um grupo de estudantes indianos que disseram:“Tu escreveste este livro para nós, pois é a mesma coisa”. Fatos como estes confirmam o cárater universal da obra. À època, apesar da repressão, os livros de Paulo Freire chegavam no Brasil e no mundo.
Outra marca da universalidade da Pedagogia do Oprimido, segundo o palestrante, é a afirmação de que todos os seres humanos têm direito a educar-se para superarem sua condição de opressão. A obra vem dizer como se educa, para quem se educa, por meio de uma práxis transformadora. “Paulo Freire mostrou que os oprimidos podem se libertar e buscar uma vida mais humana”. Para Casali, um outro nome para a Pedagogia do Oprimido é Pedagogia da Esperança, pois ela reafirma a esperança.
Sonhos e utopias são fundamentais para a vida
Miguel Escobar, da Universidade do México, trouxe para a mesa suas lembranças do convívio com Paulo Freire entre 1974 e 1978 na Suíça e em São Tomé e Príncipe, alguns dos lugares por onde andou na condição de exilado político. Assim como já havia feito Carlos Rodrigues Brandão, no dia anterior, Escobar lembrou Elza Freire como “uma grande mulher. Construiu a Pedagogia do Oprimido com Freire”. Com fotos de Elza e Paulo, ilustrou a homenagem, tornando-a mais comovente, principalmente para aqueles que tiveram o privilégio de conviver com o casal de educadores que tanto contribui com a nova concepção de educação no Brasil e no mundo.
Escobar comentou sobre estudantes que trabalham e procuram resgatar o cotidiano, por exemplo, estudando o silêncio, “porque existe muita injustiça e nada é dito”. Estimulou a todos a buscar, como Paulo Freire, a construção de uma sociedade comprometida com as lutas sociais revolucionárias. Lembrou que o mestre brasileiro também admirava líderes revolucionários como Che Guevara, em Cuba, comandante Marcos, no México e outros.
Finalizou, assegurando que propostas revolucionárias podem estar inseridas em vários momentos e de diferentes formas e que a Pedagogia Erótica é uma delas. “É uma proposta que dever ser aplicada na sala de aula. Usamos a poesia, os sonhos e a utopia. Sonhos e utopias são fundamentais para a vida.”
Paulo Freire no movimento sindical
Silvia Manfredi, do IPF-Itália e Unicamp, lembrou a trajetória do movimento sindical das últimas décadas, partindo dos anos 60. Com muito entusiasmo, comentou como a matriz freriana fundamentou, embasou, a proposta metodológica do movimento sindical, o que podia ser denominada de Pedagogia da Resistência. Assegurou também que ela foi a base dos Centros de Educação Popular que pipocaram pela América Latina, além de constituir fundamentos da criação da CUT e do projeto educativo do MST. “Somos herdeiros de uma herança latino-americana que nos cabe recriar sempre”, concluiu Manfredi.
Educadores italianos e influência freiriana
Piergiorgio Reggio, do IPF-Itália e Universidade Católica de Milão, também falando da influência freiriana, lembrou que durante alguns anos a proposta do educador brasileiro permaneceu subvertida, não explicitada, dentro do processo educacional italiano. Contudo, afirma o professror Reggio, “hoje há um movimento que busca torná-la exposta, uma proposta claramente contra a exclusão”.
História da educação do tempo presente
Afonso Celso Scocuglia, UFPB, iniciou sua exposição afirmando que “a história da educação do tempo presente é uma história prospectiva”. Aliás, afirma ele, isso está no título do VI Encontro Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido. E continua ele: “... o passado não se separa do presente, para falar do passado, partimos do presente”. E destacou a defesa de Paulo Freire sobre a história “como possibilidade do novo, somadas às suas denúncias sobre o novo neoliberalismo...”. Focando a atualidade trouxe o pensador Boaventura de Souza Santos, falando das diferentes globalizações e da globalização contra-hegemônica já reinvindicada nas edições do Fórum Social Mundial.
Fórum Paulo Freire: envie suas questões para as conferências
Para participar a distância das conferências, encaminhe suas questões:
conferencia@forumpaulofreire.org
Acesse os procedimentos referentes aos requisitos técnicos para participar:
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Fórum Paulo Freire em imagens
Acesse a galeria de fotos das conferências:
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Paradigmas freirianos e movimentos sociais
16/09/2008 - Lina Rosa - Instituto Paulo Freire
Como bom nordestino, Paulo Freire, por certo diria: Rapaiiizzz!! Estão me levando a sério, me re-inventando ... Olha esta flor, Dente-de-Leão, que coisa genial e densa de significado. Veja o que diz o crachá, dentre outras explicações: “Assim como a educação libertadora, ela não estimula a posse, o apego. Ao assoprá-la as pessoas desejam ver suas pétalas se desprendendo e voando livremente. Como a pedagogia freiriana, cujas sementes se espalham com extrema facilidade, germina e adapta-se a inúmeras realidades geográficas no mundo, o que a torna extremamente popular”.
A flor Dente-de-Leão, símbolo do VI Encontro Internacional Fórum Paulo Freire, hoje (16) se espalhou pela PUC-SP, e ficará por lá até o sábado (20), quando termina o encontro Fórum Paulo Freire. E tomara que permaneça, mas que não deixe de correr mundos.
A conferência da tarde Paradigmas freirianos e movimentos sociais, contou com a participação de Danilo Streck, da Unisinos, Pep Aparício, IPF-Valencia-Espanha, José Estáquio Romão, IPF-Brasil e Uninove, Célia Linhares, da UFF e IPF-Brasil, Carlos Rodrigues Brandão, da Unicamp, e Salete Valesan Camba, do IPF-Brasil, que coordenou os trabalhos da animada mesa, com falas e canções marcantes simbolizando as lutas e bandeiras dos movimentos sociais, o tema em pauta.
Na platéia, centenas de pessoas, de todas as idades, ávidas por uma revivência freiriana, cientes de que o pensamento e ideais de Paulo Freire se renovam a cada dia. Exatamente como queria o grande mestre: re-invenção permanente em busca de “um mundo onde fosse menos difícil amar” ou mais prazeroso viver.
A coordenadora da conferência, Salete, lembrou também que em tempos de globalização, podemos nos apropriar das novas tecnologias, colocando-as a serviço dos excluídos, como acontecia ali: o mundo podia assistir o Fórum Paulo Freire em tempo real.
Danilo Streck, o primeiro a expor, enfantizou que problemas de exclusão permanecerão “... enquanto permanecer a ignorância das classes que tem do seu lado a justiça”. Em seguida, amenizou lembrando Freire: “ nenhuma ordem oprimida resistiria se os oprimidos perguntassem por quê?”. Afirmou ainda ainda que os movimentos populares são lugares inspiradores da prática educacional de Freire e que “a sociedade se re-inventa na margem."
“Suspeito que a transformação vem da periferia, e que nossa desconfiança está virando hipótese. Coisas de mineiro que sou", disse José Eustáquio Romão, dando continuidade à seqüência de exposições. De forma enfática, trouxe a questão das “razões hegemônicas”, européias e norte-americanas, que dominam as pesquisas nos países pós-colonias em detrimento das “racionalidades nativas” e levanta a urgência da recuperação dessas “racionalidades selenciadas”. Com muita esperança na criação e atuação da Universidades dos Movimentos Sociais, que poderá fazer com que a academia reconheça a importância do conhecimento elaborado por esses movimentos e socializado com a humanidade. "Que haja uma inversão de mão."
Coube a Célia Linhares resgatar a amorosidade, tema recorrente em Paulo Freire - “...amorosidade tem vez no mundo” -, uma "mania" deste educador. “É possível fazer um mundo com outro contorno”, declarou emocionada, mas com muita lucidez, continou: “Paulo Freire, acima de outras coisas pensou o nosso pensar". Enfatizou que não podemos e não devemos permitir que o medo nos induza a declinar nossos sonhos, projetos e utopias. Com outras palavras, afirmou que assim está sendo feita a alfabetização de adultos, no Estado do Maranhão.
A surpresa da tarde ficou por conta da presença de Carlos Rodrigues Brandão porque sua apresentação não estava programada naquela conferência. “Lhes trouxe a pessoa de Paulo, seu cotidiano, sua simplicidade”, dizia Brandão, que conviveu muito de perto com o educador. Contou boas e lindas histórias por ambos vividas, lembrou fatos marcantes que denotavam características de sua personalidade. Por exemplo, quando Moacir Gadotti, presidente do Conselho Deliberativo do IPF, quis consultá-lo sobre a possibilidade de fundar com outros companheiros o Instituto Paulo Freire, respondeu: “Se for para me repetir, não! Se for para me superar, faça!”.
“Carregar as pilhas”, foi um dos motivos pelos quais Pep Aparicio justificou sua vinda para a América Latina. Veio tentar entender, perceber o que está acontecendo nos movimentos sociais, sindicais, políticos e entre outros. Deixou uma provocação aos participantes: "Estamos promovendo associação, articulação e cooperação? Do contrário, ´o outro mundo possível estará cada vez mais longe´".
Tome seu lugar. Sente-se!
16/09/2008 - Carolina Gutierrez - Le Monde DiplomatiQUE
Novamente ao Brasil, depois de dez anos, o Encontro Internacional Fórum Paulo Freire ocupa - agora com o Arca de Noé, de Ivaldo Bertazzo – o palco do Tuca numa abertura que revive a Pedagogia do Oprimido e destaca a importância da educação na mobilização social e na esfera da articulação local de uma sociedade.
A seção edição do encontro Fórum Paulo Freire, que traz o tema Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido, acontece entre hoje (16) e sábado (20), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP). Participam do encontro pessoas que vivem, reinventam e atuam, de forma dialógica, o legado de Paulo Freire pelo mundo e pelo Brasil afora.
Na abertura, que estava lotada, o resgate da educação popular e da pedagogia do oprimido em meio ao neoliberalismo globalizado foi o tema central. Evidenciou o pertencimento: do mundo, da cultura, do local, de si, como uma reapropriação da própria sociedade.
De boné, o despojado Carlos Torres, diretor geral Instituto Paulo Freire (IPF) de Los Angeles, abriu a 1ª Conferência relembrando a importância da memória histórica. “Esse ano, além dos 40 anos da Pedagogia do Oprimido, comemoramos 40 anos de maio de 1968, com a mobilização social universitária”. Relembrou também que a educação popular precede o próprio Paulo Freire e fez uma homenagem aos tantos anônimos que lutaram e morreram por uma educação libertária.
Junto com Lauren Jones, também do IPF de Los Angeles, Torres enfatizou a relevância de uma ampla mobilização - que relacionou a Freire –, uma luta para defender não uma parcela ou uma classe, mas uma luta política-pedagógica que atenda às necessidades dos oprimidos. Lauren faz parte da nova geração de freirianos e, dessa forma, reinventa, como tantos outros, o papel social do educador nos movimentos sociais, uma das formas de resgatar a educação para todos.
A concepção da escola como instituição fundamental para afirmação de uma ideologia foi exposta por Antônio Teodoro, do IPF de Portugal. A idéia é fugir e subverter tal dinâmica de controle social criada. “Temos de substituir o nacionalismo ideológico pelo cosmopolitismo ideológico rumo à cidadania planetária”. O educador destacou a concretização da igualdade e da oportunidade. A idéia de pertencimento reaparece. “Todos somos cidadãos do mesmo mundo. É a igualdade e o respeito pela diferença”, finalizou.
O economista e professor da PUC-SP Ladislau Dowbor entrou em cena com uma visão peculiar. Argumentou a centralidade do conhecimento nos processos econômicos. Segundo ele, existe hoje uma fragmentação do conhecimento gerada, justamente, pela criação de patentes do mesmo. Atualmente, a educação se transformou em um produto. Porém, Dowbor vê uma solução: o livre acesso ao conhecimento e à disponibilização do mesmo.
Para Dowbor, vive-se a Pedagogia do Oprimido em meio à economia da opressão e, por isso, defendeu: “Devemos provocar as pessoas para que vivam a sua realidade e, assim, se apropriem de instrumentos de transformação. E não provocar uma situação que funcione como um trampolim para fora daquela realidade. Temos que retomar a construção do local. Nem tudo é globalizado.”
Já Mario Sérgio Cortella, da PUC-SP, enfatiza: “Falamos muito do legado de Paulo Freire. Precisamos perguntar: qual o meu legado? Qual o seu legado? Se não, vivemos do legado alheio.”
A Pedagogia do Oprimido retoma a empatia – o ver e sentir-se no outro. Retoma, como disse Cortella, a Vida Maiúscula – dignidade, existência, cultura, identidade do oprimido, tema de sua apresentação. “Tome seu lugar. Sente-se. Isso tudo é seu."
Fórum Paulo Freire: transmissão ao vivo
Acompanhe ao vivo as atividades do VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire via internet.
Acesse os procedimentos referentes aos requisitos técnicos para participar:
http://www.paulofreire.org/FPF2008/ParticipeaDistancia
A participação a distância acontecerá em dois momentos distintos:
a) Nas conferências: acontecerá por meio da transmissão em vídeo de toda a conferência e do envio de e-mail com questões acerca das que estão em curso. As questões serão avaliadas, sob os critérios da pertinência e da ordem de chegada, e poderão ser realizadas ao final das mesmas.
b) Nos Círculos de Cultura: acontecerá por meio da transmissão em áudio de todos os Círculos de Cultura, de salas de bate-papo em tempo real e do envio de questões / comentários enviados por e-mail com arquivo anexo de áudio ou não.
As experimentações planetárias
Para que os participantes possam apropriar-se dos procedimentos referentes à participação a distância no Fórum Paulo Freire, é proposto um teste permanente no próprio site do evento e um momento conjunto de experimentação da transmissão. Este teste estará disponível em breve.
Qualquer problema, envie sua mensagem para:
suporte@forumpaulofreire.org
Fórum Paulo Freire: participe a distancia
Você pode acompanhar gratuitamente as atividades do VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire pelo seu próprio computador. A participação a distância acontecerá em dois momentos distintos:
a) Nas conferências: acontecerá por meio da transmissão em áudio e vídeo de toda a conferência e do envio de e-mail com questões acerca das que estão em curso. As questões serão avaliadas, sob os critérios da pertinência e da ordem de chegada, e poderão ser realizadas ao final das mesmas.
b) Nos Círculos de Cultura: acontecerá por meio da transmissão em áudio de todos os Círculos de Cultura, de salas de bate-papo em tempo real e do envio de questões / comentários enviados por e-mail com arquivo de áudio anexo ou não.
As experimentações planetárias
Para que os participantes possam apropriar-se dos procedimentos referentes à participação a distância no VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire são propostos diversos testes.
Acesse os procedimentos referentes aos requisitos técnicos para participar:
http://www.paulofreire.org/FPF2008/ParticipeaDistancia
Fórum Paulo Freire abre espaço alternativo aos participantes
Em função do limite de vagas no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), as inscrições para participação das conferências neste espaço estão encerradas, contudo, em razão do grande interesse de educadores em participar do encontro, foram abertas mais 400 vagas para o fórum. Os inscritos pagos a partir do dia 26/08 poderão assistir a todas as conferências ao vivo por meio de telões instalados no Tucarena localizado na própria PUC-SP.
Compartilhe sua reinvenção do legado de Paulo Freire por meio de vídeos e áudios
O Fórum Paulo Freire deseja reunir, organizar e, futuramente, tornar disponível depoimentos em áudio ou vídeo que revelem como o pensamento de Paulo Freire está presente nas práticas do nosso cotidiano. O depoimento fará parte de um acervo digital da comunidade freiriana para consulta, além de ser projetado durante o VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, em São Paulo (SP). Todos os áudios e vídeos enviados estão disponíveis neste site:
http://www.paulofreire.org/FPF2008/DepoimentosFpf. Para deixar o seu depoimento é necessário gravá-lo em áudio ou em vídeo e enviá-lo ao VI Encontro Internacional do Fórum Paulo. O tempo máximo de duração de cada material é de 5 (cinco) minutos.
1) Formatos de áudios e vídeos aceitos
a) Arquivo digital de áudio e vídeo em qualquer extensão/formato (Ex: .mpg, .avi, .flv, etc...). Obs.: os arquivos enviados em extensões diferentes da .flv passarão por um
processo de conversão para este, e só em seguida, serão acrescentados na lista dos depoimentos já existentes.
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para: Instituto Paulo Freire, A/C Secretaria de Tecnologia da Informação, Rua Cerro Corá, nº 550, Alto da Lapa, 05061-100, São Paulo (SP), Brasil.
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Fórum Paulo Freire abre espaço alternativo aos participantes
Em função do limite de vagas no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), as inscrições para
participação das conferências neste espaço estão encerradas, contudo, em razão do grande interesse de educadores em participar do encontro, foram abertas mais 400 vagas para o fórum. Os inscritos pagos
a partir do dia 26/08 poderão assistir a todas as conferências ao vivo por meio de
telões instalados no Tucarena localizado na própria PUC-SP.
Fórum Paulo Freire prorroga inscrições
As inscrições de trabalhos para os Círculos de Cultura, uma das modalidades do VI Encontro Internacional Fórum Paulo Freire, foram prorrogadas para o
dia 20 de agosto. Já para as conferências, a outra modalidade, o prazo é 15 de setembro ou
até o preenchimento das vagas. Ambas deverão ser feitas por meio do site do encontro, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na PUC-SP, e traz como tema Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido.
O encontro dispõe ao(a) interessado(a) assistir as cinco conferências, que acontecerão nos dois primeiros dias, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), e apresentar trabalhos para os Círculos nos dois últimos. As conferências são abertas a todos os inscritos. Nos círculos de cultura poderão participar apenas os que inscreverem trabalhos (ensaios, análises, artigos científicos, relatos de experiências, entre outros).
Para esses últimos, é necessário observar as orientações sobre “inscrições de trabalhos” no site do evento (www.forumpaulofreire.org). Haverá também atividades culturais, programadas pelo Fórum ou sugeridas a partir do roteiro cultural da cidade.
Abertas a todos os participantes do encontro, essas atividades têm vagas limitadas de acordo com os respectivos espaços em que ocorrerão.
A sexta edição do encontro mundial, que há dez anos reúne pessoas que compartilham e vivenciam as concepções freirianas, traz os 40 anos da Pedagogia do Oprimido para o centro da discussão, além de outros assuntos. Escrita em 1968, no Chile, foi traduzida para mais de 30 idiomas, tornando-se a mais importante obra do autor e a principal referência mundial para o entendimento e a prática da pedagogia libertadora. Nela, Paulo Freire discute temas como conscientização, revolução, diálogo, cooperação que, entre outros, sustentam a sua concepção de educação.
Inscreva-se no Fórum Paulo Freire
As inscrições do VI Encontro Internacional Fórum Paulo Freire estão abertas e poderão ser feitas por meio do site do encontro. Poderão participar das cinco grandes conferências todos os inscritos no evento. Elas serão realizadas no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA).
Para participar, esse público deverá se inscrever pela internet até 10/09, ou até o preenchimento de todas as vagas. Se as vagas não forem preenchidas até a data inicial do Encontro (16/09), os interessados poderão fazer a sua inscrição momentos antes do início das conferências.
São Paulo recebe Fórum Paulo Freire 2008
O Instituto Paulo Freire e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) convidam a comunidade freiriana para o VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que acontece entre 16 e 20 de setembro, no Campus da PUC, e traz como tema
Globalização, Educação e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido. Neste ano, completa-se uma década do primeiro encontro do Fórum e 40 anos da Pedagogia do Oprimido.
A parceria entre o IPF e a PUC-SP, entre outras razões, possui uma intenção simbólica. Esses espaços foram duas grandes "casas" de trabalho de Paulo Freire em seus últimos anos. Paralelamente, ao seu intenso itinerário pedagógico em freqüentes cursos que ministrava nas diversas regiões do Brasil e do exterior, Freire exerceu o ofício de professor universitário na PUC-SP, entre 1981 e 1997. Na última década do século XX, como inspirador do IPF, desenvolveu atividades nessa instituição até a ocasião de seu falecimento.
Em ambos os espaços, o legado freiriano se mantém vivo e em constante reinvenção. Isso não se deve apenas porque nesses lugares se encontram companheiros e companheiras que trabalharam e aprenderam com Paulo Freire, mas, sobretudo, porque em seus projetos educacionais incorporam-se os princípios mais substanciais da práxis freiriana que se fundamentam, sobretudo, na "educação como prática da liberdade".