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40 anos da Pedagogia do Oprimido

16/09/2008 - Redação

1a Conferência - Globalização e os desafios da educação libertadora

The struggle for memory and social justice education: popular education and social movements reclaiming latin american civil society (essay in memorian of Francisco de Souza and Carlos Nuñez Hurtado que en paz descanse)

[Autor (a)] Carlos A. Torres e Lauren Jones

[Resumo] Popular education programs initiated within Latin American social movements are reshaping the public sphere both nationally and internationally. In their work with those often ignored in systems of formal education, these movements provide resistance---a demonstration of “globalization from below” (Torres 2003:1-35) ---to educational standardization, a characteristic of neo-liberal globalization. The ability of these movements to pressure and at the same time to negotiate with their national governments increases their ability to participate in the process of reshaping long-standing inequitable public spheres. One of the novelties of this process is the growing interaction across borders of the social movements in their process of struggle. We argue that as these movements move from being on the defensive to being on the offensive economically and, therefore, educationally, they are supported and challenged by the political ideology of national governing powers and international alliances. Ultimately, these social movements are re-making the road map of the public sphere in Latin America today by working for equal access to education for all.

Crítica utopística: contributos para agenda política educacional cosmopolita

[Autor (a)] Antonio Teodoro

[Resumo] As políticas públicas, nos últimos 25 anos, têm sido marcadas por uma ortodoxia que tem no chamado consenso de Washington a sua expressão síntese: disciplina fiscal, cortes na despesa pública, reforma fiscal, liberalização financeira, taxas de câmbio, liberalização do comércio, investimento estrangeiro direto, privatização, desregulação e direitos de propriedade. Segundo Immanuel Wallerstein a utopística é uma séria avaliação das alternativas históricas, o exercício do nosso julgamento face a uma racionalidade substantiva de uma alternativa possível de sistemas históricos. Em contraponto a utopia, esta definição surgem-nos como particularmente estimulante no plano da reflexão intelectual sobre a agenda política educacional contemporânea.

Que contributos à utopística e a crítica podem dar a uma educação cosmopolita emergente nesse início de milênio? Esse será o tema que tentaremos desenvolver na mesa Globalização e os desafios da educação libertadora do VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire.

Da educação à gestão do conhecimento

[Autor (a)] Ladislau Dowbor

[Resumo] A educação está passando por mares revoltos, mas teima em manter princípios ultrapassados: conhecimento fragmentado em disciplinas, tempo organizado em fatias de 50 minutos, conteúdo visto como estoque de conhecimentos a serem transmitidos e decorados, ausência de pesquisa, ausência de multimeios, despreocupação com as motivações/interesses dos unos – tudo isto num processo vertcade autordade que empurra conhecmentos exstentes na prateleira, com pouca atenção para os impactos finais em termos de assimilação e gosto pelo conhecimento. O abandono escolar, repetência e fragilidade dos resultados têm a ver com a inadequação sistêmica de como focamos o estudo. Esta avaliação severa tem de ser confrontada com as novas dinâmicas que deslocam a visão.

Primeiro, o conhecimento torna-se elemento chave de todas as atividades, e com isto o ensino adquire um papel central na reprodução social em geral. O que se exige do futuro profissional é a capacidade de gestão flexível de conhecimentos diversificados. Adquirir um “volume” de conhecimentos tornou-se inviável, tanto pela amplitude como pelo ritmo de obsolescência. Segundo, a explosão de novas tecnologias revolucionou a conectividade entre produtores e utilizadores de conhecimentos, criando um sistema de acesso online gratuito de qualquer conhecimento de qualquer parte do planeta, exigindo muito mais capacidade de navegar neste universo, do que propriamente de tentar abarcar tudo na cabeça. Mais do que nunca, a cabeça tem de ser bem-feita, e não bem cheia. O horizonte de transformações no universo escolar envolve: a batalha pelo acesso banda larga internet em todas as escolas; a requalificação do universo de docentes para assimilar gradualmente o potencial das novas tecnologias; a organização de sistemas muito mais amplos de apoio ao docente tanto em meios materiais como metodológicos; a evolução do ensino por disciplinas para o ensino por temas transdisciplinares de interesse dos alunos; a eliminação da “hora-aula”, permitindo que os alunos possam se dedicar a um problema durante períodos mais longos; a eliminação da hora-aula como base de remuneração do corpo docente; a introdução no currículo da pesquisa sobre a própria região/cidade onde vivem os alunos; a organização da interação (visitas, pesquisas) com o universo do trabalho da região; a avaliação dos resultados combinando o quantitativo com o qualitativo.

Vida maiúscula

[Autor (a)] Mario Sergio Cortella

[Resumo] Por que Paulo Freire chamou a obra de Pedagogia do Oprimido? Poderia ter escolhido Pedagogia para o Oprimido (dando ao texto um caráter ferramental), ou Pedagogia com o Oprimido (deixando claro já no título a aliança necessária a ser feita com as vítimas). Ora, há uma diferença entre falar de e falar sobre; quando se fala de, fala-se de dentro, como experiência pelo sujeito vivida; quando se fala sobre, fala-se de fora, como experiência pelo sujeito ouvida. Eu, que nunca fome senti, não posso falar da fome, e sim sobre ela; não posso falar nem de analfabetismo e nem de discriminação racial, pois são vivências de outrem. Paulo Freire, porém, mergulhara com tamanha intensidade e honestidade na vida de oprimidos que se tornara capaz de expressar-se como tal, no lugar de mera representação. A Pedagogia do Oprimido é impregnada de vida, vida sofrida, vida sem abundância, vida agredida, vida furtada. Por isso, viva a obra permanece, enquanto a vida de infindos homens e mulheres ficar no diminutivo. Viva, sim, após quarenta anos, para que a Vida não se apequene.

Desafios da educação transformadora para uma outra globalização

[Autor (a)] Luiza Cortesão

[Resumo] A globalização capitalista é uma “fábula”, como disse o professor Milton Santos, na medida em que o mundo não foi globalizado para a maioria das pessoas. Para essas, a globalização é apenas uma ilusão: temos a sensação de que todos estamos globalizados, a ilusão de que estamos nos comunicando com todo o mundo. Mas, o mundo só está realmente melhor para as grandes corporações. A globalização capitalista só chega a poucos, muito poucos. Neste contexto, educar para uma outra globalização, como grande desafio da educação transformadora, é educar para “conscientizar”, como dizia Paulo Freire, para desalienar, para desfetichizar. O fetichismo transforma as relações humanas em fenômenos estáticos, como se fossem impossíveis de serem modificadas. Educar para uma outra globalização, uma globalização includente, é educar para a emergência do que ainda não é, ou ainda-não, a utopia. Um dos desafios da educação transformadora, frente à globalização excludente, é fazer da educação, tanto formal, quanto não-formal, um espaço de formação crítica e não apenas de formação de mão-de-obra para o mercado, é inventar novos espaços de formação alternativos ao sistema formal de educação e negar a sua forma hierarquizada numa estrutura de mando e subordinação. É sobre esses temas que eu gostaria de dialogar no Fórum Paulo Freire de São Paulo.

2a Conferência - Paradgimas freirianos e movimentos sociais

Saber para si, saber com os outros

[Autor (a)] Carlos Rodrigues Brandão

[Resumo] O presente texto propõe-se a refletir sobre o processo ensino-aprendizagem ou aprender-a-saber, pensando sobre o que vem a ser o conhecimento e o aprender, tendo em vista as habilidades humanas. Veremos que o aprender, nessa perspectiva, significa modificar a qualidade de todo um plano ou uma dimensão específica do que existe de cognitivo em nós, o que provoca em nós, seres humanos, cada um dos diferentes planos de interações-integrações com as alterações qualitativas através de cada ato pedagógico de aprendizagem. Que o conhecimento se constrói sempre sobre a base de um novelo de ações, e é sobre a lógica desse entremeado de ações que é preciso agir para poder, justamente, abri-lo para a flexibilidade e a transformação. O conhecimento não é dado, é “adquirido”. É, na realidade, uma criação pessoal vivida em uma relação inter-pessoal (mesmo que o outro-que-me-ensina esteja escrito em um livro). Aprender e criar são sinônimos absolutos. E mesmo em uma situação pequenina, criar é como pronunciar pela primeira vez a fórmula mágica que torna real a própria magia. Dessa forma, concluímos que tomada no seu todo e em sua compreensão mais ampla e mais humana, sabemos já que o aprender e a aprendizagem não são processos gradativos de aquisição e de acumulação de conhecimento. A cada momento da vida o aprender-a-saber tem a ver com importantes transformações qualitativas de todo o sistema que constitui um organismo vivo. Assim, quase se pode dizer que, ao aprender, não se “sabe mais”, mais se sabe “de uma outra maneira”.

Os movimentos sociais na obra de Paulo Freire

[Autor (a)] Danilo R. Streck

[Resumo] O trabalho tem como objetivo situar a obra de Paulo Freire em relação aos movimentos sociais. Na introdução será realizada uma aproximação ao tema, enfocando a questão dos movimentos sociais e sua relação com a sociedade em movimento, tendo como pressuposto que na obra de Freire os movimentos sociais têm um papel fundamental, mas que ao mesmo tempo ele tinha a dimensão de que eram parte de uma sociedade mais ampla. Segue-se uma tentativa de mapear etapas da obra de Freire e sua vinculação com os movimentos sociais: os movimentos dos anos 60 na América Latina e no mundo; os movimentos anticolonialistas na África e de libertação na América Latina; os movimentos pelos direitos humanos e pela redemocratização no Brasil. Todos estes movimentos deixaram as suas marcas na obra de Paulo Freire. Na segunda parte do trabalho há uma tentativa de caracterizar alguns aspectos da pedagogia dos movimentos sociais que incidem na pedagogia Freire, tais como a itinerância ou “andarilhagem”, a leitura do mundo desde o interior das práticas sociais e a ampliação de fronteiras do “ser mais”.

Pedagogias de Paulo Freire

[Autor (a)] José Eustáquio Romão

[Resumo] Neste trabalho, o autor informa sobre o apelo de Paulo Freire a seus companheiros de jornada no sentido de pesquisarem e elaborarem “pedagogias”. Para tanto, destaca que o próprio Paulo Freire deu o exemplo, escrevendo várias pedagogias, dentre as quais se destacam Pedagogia do oprimido, Pedagogia da esperança e Pedagogia da autonomia. Na verdade, trata-se da mesma pedagogia, inserida no universo do pensamento dialético-dialógico crítico e, por isso, sempre reinventada, em cada contexto. Em seguida, o trabalho se debruça sobre a etimologia e a evolução dos termos “educação” e “pedagogia”, para demonstrar suas várias acepções, sua verdadeira polissemia, para enfatizar o porquê do apelo de Paulo Freire e em que sentido ele se referia a “pedagogia. Finalmente, o trabalho demonstra como a reinvenção do legado freiriano no século XXI depende da retomada da obra do educador pernambucano sob uma nova perspectiva: a da pedagogia como prática e como reflexão sobre o ser humano. “Pedagogia” significava, para ele, mais do que a simples ciência da educação, mas, o instrumento reflexivo que escolhera para ler o mundo e todos os processos humanos. “Pedagogia” seria a substituta da própria filosofia, porque, o fundamento da ontologia histórico-social humana (consciente de sua incompletude, inacabamento e inconclusão) é pedagógico, já que essa consciência remete este ser à esperança (como determinação) e, portanto, à auto-educação.

Alfabetização educadora do Maranhão: forjando com Freire pistas de uma outra política

[Autor (a)] Célia Linhares

[Resumo] Enfrentamos, hoje, os desafios de trabalharmos o político, ainda que reconhecendo os processos de descréditos que o corroem e ameaçam, como expressam tantos sociólogos políticos, a inviabilização da própria sociabilidade, da qual derivam a coesão e a coerção legitimadas, ou seja, a própria convivência social. Apoiados pelas teorizações freirianas, o Estado do Maranhão vem avançando, por caminhos e trilhas democráticas, em sua meta primordial de ampliar o mundo letrado, com a participação de aproximadamente 800 mil maranhenses, entre aqueles que têm sido mantidos excluídos dos benefícios da alfabetização. Como o Plano de Alfabetização Educadora de Jovens, Adultos e Idosos do Maranhão (Paema), construído dialogicamente, com a participação presencial de representantes de 130 municípios maranhenses, está impregnado dos pensamentos/ações freirianos, o trazemos para uma discussão neste Fórum, ressaltando seus movimentos instituintes de uma política pública, que procura primar pelo respeito às diferenças e ao empenho, sem limites, para a construção de uma sociedade, expansivamente, includente e justa.

3a Conferência - Pedagogia do Oprimido: 40 anos depois

Paulo Freire e Boaventura de Sousa Santos: pedagogia crítica e globalização contra-hegemônica

[Autor (a)] Afonso Celso Scocuglia

[Resumo] A idéia da inexorabilidade da globalização hegemônica como única saída para o desenvolvimento pós-guerra fria tem determinado grande parte do debate acadêmico e midiático atual, inclusive no campo educacional. Este nosso trabalho pretende argumentar em um sentido contrário, corroborando as teses de Boaventura de Souza Santos sobre as várias possibilidades de globalizações, especialmente as globalizações contra-hegemônicas marcadas pelo cosmopolitismo e pelo patrimônio comum da humanidade. Essas possibilidades, rechaçam a idéia da fatalidade e do “fim da história”. Em sentido convergente, ao pensar a pedagogia crítica conectada com as possibilidades contra-hegemônicas colocadas por Boaventura, destacamos a defesa de Paulo Freire sobre a história como possibilidade do novo, somadas às suas denúncias sobre o novo liberalismo, aos anúncios de uma educação parteira de um “outro mundo possível” e protagonizadora de redes contra-hegemônicas importantes como o Fórum Social Mundial. Tal pedagogia política - que combate a opressão ao se fazer dialógica, democrática, problematizadora, esperançosa e pós-moderna progressista -, renova-se nas múltiplas formulações do legado teórico freiriano e no cotidiano das práticas sociais que a mantem viva, atual e prospectiva. Neste caminho, depois de quatro décadas da sua principal gestação se fortalece cada vez mais ao continuar aberta às conexões com as práxis de outros atores/autores, a exemplo das convergências entre o pensamento político-pedagógico de Paulo Freire e as propostas da globalização alternativa de Boaventura de Sousa Santos.

A Pedagogia do Oprimido: de clandestina a universal

[Autor (a)] Alípio Casali

[Resumo] Uma das questões mais intrigantes da história da literatura é a questão “regionalidade versus universalidade”. O classicismo desenvolveu uma noção equivocada do valor das obras literárias, ao relacionar “máximo valor literário” com “máxima universalidade” e, principalmente, ao identificar redutivamente “universalidade” com “generalidade”. Por essa concepção, apenas obras genéricas sobre os grandes dramas, tragédias ou comédias humanas teriam condições de aceder ao máximo valor universal. As produções filosóficas e pedagógicas, da mesma forma, incorreram nesse equívoco, que explica porque a maior parte da literatura nesses campos versa sobre grandes temas, genéricos, culturalmente desenraizados, historicamente pouco datados. Essa identificação do genérico como o universal, entretanto, não parece ser tão descabida assim, pois ela se mostra muito presente na representação dos leitores. Textos produzidos em contextos de forte efervescência política local ou nacional, identificados com seu ambiente político e cultural local, freqüentemente caem em desuso e perdem o vigor tão logo se altere tal conjuntura. Algo parecido se passa com textos políticos clandestinos que, tão logo são legalizados e trazidos à luz do dia, perdem sua aura heróica e interesse. A Pedagogia do Oprimido, ao contrário de tudo isso, realizou um paradoxo histórico. É um texto fortemente conjuntural (clandestino no Brasil durante vários anos) que se tornou fundamental e universal. Paulo escreveu-o no Chile, tendo o Brasil e a América Latina no coração e na mente. Certamente não imaginou em quantos países, dos cinco continentes, ela viria a ser traduzida e lida. Qual o seu segredo para realizar tal paradoxo? Neste trabalho exploro, como hipótese compreensiva, o fato de tratar-se de um livro que, como poucos, articula com extraordinário equilíbrio três marcas: 1) As marcas da peculiar subjetividade do autor; 2) As marcas da culturalidade, do lugar político e social e do tempo histórico concreto e delimitado em que foi produzida; 3) As marcas da universalidade que decorre por analogia dessas particularidades e faz com que qualquer educador em qualquer tempo e lugar se identifique com o caráter heróico do educador Paulo Freire e de seu pensamento crítico transformador. Ou seja, tomo por hipótese que a universalidade dessa obra é a universalidade análoga. Trata-se realmente de uma proeza histórica: permanecer um livro histórico e cultural, não apenas por seu vigor de época, mas também e principalmente por sua força de ultrapassar fronteiras culturais locais, nacionais, regionais.

Das 40 horas de Angicos aos 40 anos da Pedagogia do Oprimido

[Autor (a)] Celso Beisiegel

[Resumo] Um dos principais conhecedores da obra freiriana no Brasil e tendo escrito um dos trabalhos de maior repercussão sobre Paulo Freire, Política e educação popular, Celso Beisiegel apresenta uma avaliação crítica da trajetória da pedagogia do oprimido nas últimas quatro décadas.

Contribuições freirianas para a organização dos movimentos sindical e popular no Brasil e Itália

[Autor (a)] Silvia Maria Manfredi, Piergiorgio Reggio

[Resumo] A pedagogia freiriana teve uma grande influência no ideário e nas práticas educativas no âmbito dos movimentos sindical e popular, tanto no Brasil como na Itália. No Brasil, durante o período de resistência, ou seja, durante os governos militares (1964-1984) e durante a redemocratização (as décadas de 80 e 90) podemos dizer que foi a “pedadogia da resistência”. Uma pedagogia que foi referência para a construção dos projetos de educação em sindicatos, e associações de trabalhadores que foram a base dos chamado “novo sindicalismo” e das novas organizações populares, protagonistas dos movimentos e lutas pela redemocratização da sociedade e do Estado brasileiros. Tais organizações, entidades, movimentos inspiraram-se na pedagogia freiriana para construir projetos e modelos de educação/formação pautados em pressupostos que valorizam: a cultura e a experiência coletiva dos próprios trabalhadores; a importância do saber popular como elemento mediador fundamental para a reconstrução de modelos de conscientização e emancipação social e política; a construção de relações democráticas nas práticas educativas e a importância do diálogo como instrumento de democratização. Por último, a assunção explícita da relação entre educação e política (lato sensu). Na Itália, durante os anos 70 e 80, também inspirou novas práticas e orientações, notadamente nos movimentos de educação popular, no âmbito da sociedade civil. Foi, também a pedagogia que serviu de matriz para o movimento das “150 ore”, movimento que possibilitou o acesso à escola fundamental de milhares de trabalhadores excluídos do sistema escolar.

La sombra introyectada del opresor: Freire y el psicoanálisis social (in memoriam de Elza Freire)

[Autor (a)] Miguel Escobar

[Resumo] La Pedagogía del oprimido me dibujó un sendero, guió mis pasos por el mundo, me lanzó un desafío para asumir mi miedo luchando para construir sueños y utopías. Mi encuentro con las primeras letras de Freire fue en el aula y pude analizar la relación entre educación bancaria y educación liberadora. De 1974 a 1978 estuve cerca de Paulo, en Suiza y Sao Tomé y Principe, preparándome para mejor entenderlo y mejor reinventarlo. Asumí la radicalidad freiriana, leyendo mi práctica para transformarla, buscando tener voz en la voz de las y los estudiantes que conmigo han leído la práctica desde l@s desarrapad@s del mundo. He estado atento para relacionar el texto de estudio con el contexto social, trayendo las luchas sociales al salón de clases, observando y conociendo la sombra introyectada del opresor. Estudié el psicoanálisis social para comprender mejor las relaciones de opresión, en el contexto de un poder filicida global de guerra, que nos ha desconectado de la realidad real y se manifiesta con una conducta psicopática que estimula el fratricidio. En este escrito quiero compartir algunos de los resultados de mi investigación.

4a Conferência - Paulo Freire: legado e reinvenção

Ensinando e pesquisando a partir dos referenciais freirianos

[Autor (a)] Ana Maria Saul

[Resumo] O texto objetiva refletir sobre o legado e reinvenção do pensamento de Paulo Freire, a partir do olhar de quem partilhou com ele o espaço da sala de aula, pelo período de quase duas décadas e assume, hoje, a docência e a pesquisa na Cátedra Paulo Freire da PUC de São Paulo. Reinventar o legado freireano significa, na Cátedra Paulo Freire, fazer uma releitura crítica da obra do autor, tendo em vista discutir as suas propostas frente aos novos desafios do mundo atual. Isso implica, sobretudo, construir e sistematizar uma práxis coerente com os princípios fundamentais da obra freireana. Nesse espaço acadêmico desenvolve-se uma pesquisa cumulativa para analisar a influência do pensamento de Paulo Freire nos sistemas públicos de ensino, a partir dos anos 90, com o objetivo de analisar a criação/ recriação de políticas e práticas de currículo e formação de educadores, demonstrando múltiplas possibilidades de reinvenção do legado freireano, no Brasil.

Desconstruir o autoritarismo: descolonizar o saber e o poder

[Autor (a)] Reinaldo Matias Fleuri

[Resumo] Este trabalho retoma a reflexão desenvolvida nos encontros com Paulo Freire durante o Ciclo de Debates sobre Educação Popular realizado na Universidade Metodista de Piracicaba (SP, Brasil), no segundo semestre de 1983. O tema do autoritarismo é focalizado como a marca dominante nas relações que se estabelecem em nosso contexto, onde o saber científico aparece como superior ao saber popular para legitimar a ordem opressora e impor o silêncio e a submissão às classes subalternas. Na tentativa de romper esse silêncio, articulando universidade e povo, intelectuais e movimento popular, defrontam-se com o medo e a desconfiança inicial que os grupos populares têm em relação aos agentes de classe média, medo gerado pela situação histórica de opressão de uma classe pela outra. Portanto, a superação dessas “diferenças de classe” só pode se dar na medida em que os intelectuais se colocam a serviço dos interesses objetivos das classes trabalhadoras, na construção de um novo projeto de sociedade. Esta reflexão, retomada por pensadores pós-coloniais, indica que desvelar e desconstruir o autoritarismo nas relações sociais e educativas implica em denunciar a colonialidade inerentes ao saber e ao poder em nosso contexto. Implica em superar os dispositivos de subalternidade pelo diálogo crítico e criativo.

Reclaiming democracy: new pedagogies and local conflicts in South Africa

[Autor (a)] Ivor Baatjes

[Resumo] In May 2008 thousands of black foreigners living in poor settlements in parts of South Africa were attacked. These xenophobic attacks, and the deaths that resulted there from, made headline news in the international media. At the same time, this tragic event that precipitated widespread reactions, brought into sharp focus the deepening social conditions and plight of poor and marginalised communities in South Africa who still need to benefit from a young democracy. The struggle for shelter, food, employment, health for all, education and basic services has been propelled into prominence. The South African government has increasingly adopted neoliberal policies over the last decade which have disastrous implications for the majority of South Africans. Driven by the privatisation logic, these policies have failed to address widespread social needs. Unemployment is high, illiteracy amongst the adult population is on the rise, public education and health services are in decline and crime remains a pressing concern. The development of a substantive democracy and critical citizenship are impeded by market-friendly neoliberal policies that favour the interests of a few. Yet, in spite of these developments, social movements have emerged with strong praxis in resistance and critique to market utopia. This paper provides an analysis of the work of selected social movements and the new spaces created in a political environment where freedom of expression and civic (re)-action to the neoliberal project are being undermined. This paper highlights the critical role of these movements play in the struggles and conflicts for a substantive democracy and critical citizenship. The paper further argues that these movements provide essential sites and institutions for the development of critical consciousness and alternative pedagogies of hope.

O Legado de Paulo Freire e a sua contribuição para a Formação Político-Pedagógica em Cabo Verde

[Autor (a)] Florenço Mendes Varela

[Resumo] Com esta comunicação desejo evidenciar o quanto o pensamento político pedagógico de Paulo Freire marcou o processo de educação e formação de adultos em Cabo Verde. Num país marcado de lutas pela sobrevivência e independência, o legado freiriano está presente na memória colectiva dos educadores Cabo-verdianos. Nessa exposição, apresentarei, sinteticamente, a contribuição histórica de Paulo Freire nas 10 ilhas crioulas do atlântico. A exposição relata o legado freiriano desde o 1º seminário dos Coordenadores de Alfabetização (1977) que o próprio mestre animou nas ilhas de Santiago e São Vicente, passado pela equipe do IDAC, aos Manuais de Alfabetização, com anotações do apóstolo de que “o livro por melhor que seja nasce sempre com o pecado original”, a vários números do Jornal Alfa dedicado a Paulo Freire até a proclamação da Rua Paulo Freire Nº 1, onde está a sede da Direção Geral de Alfabetização e Educação de Adultos.

O que significa reinventar Paulo Freire

[Autor (a)] Oscar Jara

[Resumo] Nessa exposição vou compartilhar com o público minhas próprias vivências como educador popular e as vivências que tive nas oportunidades de meus encontros com Paulo Freire. Desenvolverei também algumas idéias e reflexões sobre esse tema, baseadas no processo de aprendizagem a partir da prática, falarei da construção do conhecimento com base na experiência vivida, a importância da partilha de saberes como especificidade dos processos de formação e a auto-formação dos educadores/as. Neste contexto desenvolverei a metodologia da sistematização de experiências e as implicações da constituição de contextos teóricos como processos de aprendizagem criadora e transformadora.

A Pedagogia da Humanização: desafio de ontem e de hoje

[Autor (a)] Eliete Santiago

[Resumo] A abordagem dará relevo à Pedagogia da Humanização, a partir da dimensão epistemológica, como um desafio social e pedagógico.

5a Conferência - Paulo Freire, arte e cultura

A verdadeira lição de Paulo Freire

[Autor (a)] Thiago de Mello

[Resumo] Contemporâneo do educador brasileiro e tendo convivido com ele em momentos significativos como o conhecido processo de alfabetização de Angicos e o exílio no Chile, Thiago de Mello mostrará que, em seus escritos e em sua prática político-pedagógica, Paulo Freire viveu para nos ensinar que o caminho para a redenção do povo brasileiro é o caminho da educação.

Afrocentricidade e Pedagogia do Oprimido

[Autor (a)] Elisa Larkin

[Resumo] Paulo Freire estava à frente de seu tempo com sua compreensão inovadora da questão racial como parte da luta pelos direitos humanos e em favor do oprimido. Compreendeu o valor revolucionário da negritude quando a maioria de seus companheiros de esquerda costumava rotulá-la de elemento perturbador da unidade da classe operária. A solidariedade de Paulo Freire com o movimento negro desembocou num posterior compromisso com a diversidade cultural. Hoje, a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação asseguram o direito a essa diversidade e ao conhecimento das bases históricas e culturais das identidades de povos historicamente discriminados. Essa vitória é fruto da luta do movimento negro desde a década dos 1940 e beneficia a população como um todo. Resta uma tarefa gigantesca: implementar a lei com respeito às matrizes africana e indígena. O Ipeafro busca contribuir com trabalhos como a coleção Sankofa e a Linha do Tempo dos Povos Africanos.

In Memoriam: João Francisco de Souza (1944-2008)

[Autor (a)] Peter Lownds

[Resumo] Um breve exame da vida e do trabalho do professor João Francisco, ex-diretor do Centro de Educação da UFPE e diretor do NUPEP, freiriano autêntico que até sua morte em 27 de março de 2008, foi o mais importante proponente da Educação de Jovens e Adultos no nordeste brasileiro. Começando com seu envolvimento, ainda adolescente, no Movimento de Cultura Popular Recifense, abordo aspectos da sua teoria e práxis: seu ativismo cultural popular, suas pesquisas, sua vida de editor e publicador de livros didáticos e o legado de um dos maiores intérpretes e reinventores de Paulo Freire no Brasil. Meu trabalho está baseado em duas extensas entrevistas que tive com João Francisco (em 2002 e 2004) e das minhas pesquisas no CEJA (antiga CAIC), de Peixinhos (projeto inaugurado por de Souza e seus alunos), e da convivência com sua equipe de educadores populares no projeto Promata, esforço pedagógico nas Zonas da Mata Norte e Sul do Recife, 2004.



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