|Notícias|
Jornada discute educação ambiental no FSM
30/01/2009 - Lacênio Barbosa
Educadores, estudantes e os mais diversos segmentos interessados em discutir os temas relacionados ao meio ambiente participaram no dia 29 de janeiro no campus profissional da UFPA, em Belém, da II Jornada Internacional de Educação Ambiental, dentro do Fórum Social Mundial 2009. As discussões tiveram como base o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, com os participantes fazendo a leitura coletiva dos 16 princípios do documento e logo depois se subdividindo em grupos para discuti-los.
Segundo a diretora pedagógica do Instituto Paulo Freire (IPF), um dos organizadores do evento, Ângela Antunes, essa dinâmica permite que um número maior de pessoas não só conheça como possa intervir no documento que é um processo dinâmico como a própria educação. Ela lamentou que mesmo entre aqueles que se interessam pelo tema, o Tratado ainda seja pouco conhecido ao ponto de somente duas pessoas, num grupo de cem, admitirem já o terem lido. “O Tratado é a síntese de um processo histórico e é preciso não só conhecer seu texto como reescrevê-lo”, asseverou.
A preocupação com o meio ambiente e a educação ambiental como tema gerador, ganharam corpo dentro do Instituto com a participação de Moacir Gadotti, presidente do Conselho Deliberativo do IPF, na Rio 92. As discussões sócio-ambientais foram determinantes para alimentar reflexões que culminaram no surgimento de obras como Pedagogia da Terra e Educar para a Sustentabilidade, escritas por ele.
Presente em vários grupos, a professora Moema Viezzer, coordenadora da II Jornada Internacional de Educação Ambiental, mostrou-se satisfeita com o grau de diversidade dos participantes seja na faixa etária, com pessoas dos 15 aos 70 anos, ou mesmo nas origens nacionais e étnicas. Lembrou que o tratado originado na Conferência Rio 92 foi assinado por cerca de 600 instituições de mais de 80 países e que hoje, junto com a Carta da Terra, “é um documento que reforça a responsabilidade dos povos com a sustentabilidade do planeta”.
“Apesar dos contratempos foi importante a realização do FSM na Amazônia por ser uma forma das pessoas que vivem aqui expressarem o que pensam sobre a exploração da floresta. A Amazônia é um lócus de interação na latino-américa por pertencer a vários países,” conclui.
Galeria de fotos
Carta da II Jornada
Quase 500 pessoas, originárias de 12 países, participantes de num painel e oito Círculos de Cultura, lançam novos olhares ao Tratado Educação Ambiental, durante os Fóruns Mundial de Educação e Social Mundial 2009. Leia a Carta da II Jornada Internacional de Educação Ambiental, uma das atividades organizadas pelo IPF.
Fórum Mundial de Educação, Belém, 2009
Círculos de Belém
A II Jornada Internacional de Educação Ambiental iniciou em 2006 com o propósito de continuar aglutinando forças inspiradas no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, na perspectiva de construir uma existência sustentável.
Durante o VI Fórum Mundial de Educação e o IX Fórum Social Mundial foi constatada a vigência dos princípios do Tratado, bem como a necessidade de atualização de seu plano de ação. Reuniram-se mais de 400 pessoas, originárias de 12 países, num Painel e em oito Círculos de Cultura que mobilizaram novos olhares sobre o Tratado. Nessas atividades foi manifestada a necessidade de construir coletivamente estratégias ecopedagógicas para dar vida aos 16 princípios do Tratado.
Assim como sinaliza a Plataforma Mundial de Educação – Naibori 2007, não bastam declarações gerais, mas é necessário desdobrá-las em planos de ação para a construção da cidadania planetária.
O resultado dos trabalhos desenvolvidos Círculos de Cultura seguem na íntegra e foram sistematizados nas seguintes vertentes:
1. Comunicação: viabilizar uma melhor socialização quanto aos conceitos que fundamentam a educação ambiental, assim como do próprio Tratado, enquanto documento que orienta atitudes para a sustentabilidade;
2. Políticas Públicas: garantir uma maior abrangência da educação ambiental nos três níveis de organização da sociedade (poder público, iniciativa privada e terceiro setor);
3. Coletivos e Redes: ampliar, articular e integrar as organizações da sociedade civil com o propósito de fortalecer transformações significativas;
4. Autonomia dos povos: consolidar o respeito à diversidade para o empoderamento das comunidades.
Entendemos que estas contribuições fortalecem os próximos passos da II Jornada Internacional de Educação Ambiental e poderão se somar a toda e qualquer contribuição fruto de outras atividades organizadas por entidades e pessoas nas suas respectivas comunidades ou por meio da plataforma virtual da Jornada.
Fica aqui então, o convite para todas e todos que têm nos princípios do Tratado sua inspiração para concretização de um novo projeto planetário.
Fórum Mundial de Educação Belém (Brasil), 1a de fevereiro de 2009.
Mais informações