Início >> Notícias

|Notícias|

Paradigmas freirianos e movimentos sociais

16/09/2008 - Lina Rosa

Como bom nordestino, Paulo Freire, por certo diria: Rapaiiizzz!! Estão me levando a sério, me re-inventando ... Olha esta flor, Dente-de-Leão, que coisa genial e densa de significado. Veja o que diz o crachá, dentre outras explicações: “Assim como a educação libertadora, ela não estimula a posse, o apego. Ao assoprá-la as pessoas desejam ver suas pétalas se desprendendo e voando livremente. Como a pedagogia freiriana, cujas sementes se espalham com extrema facilidade, germina e adapta-se a inúmeras realidades geográficas no mundo, o que a torna extremamente popular”.

A flor Dente-de-Leão, símbolo do VI Encontro Internacional Fórum Paulo Freire, hoje (16) se espalhou pela PUC-SP, e ficará por lá até o sábado (20), quando termina o encontro Fórum. E tomara que permaneça, mas que não deixe de correr mundos.

A conferência da tarde Paradigmas freirianos e movimentos sociais, contou com a participação de Danilo Streck, da Unisinos, Pep Aparício, IPF-Valencia-Espanha, José Estáquio Romão, IPF-Brasil e Uninove, Célia Linhares, da UFF e IPF-Brasil, Carlos Rodrigues Brandão, da Unicamp, e Salete Valesan Camba, do IPF-Brasil, que coordenou os trabalhos da animada mesa, com falas e canções marcantes simbolizando as lutas e bandeiras dos movimentos sociais, o tema em pauta.

Na platéia, centenas de pessoas, de todas as idades, ávidas por uma revivência freiriana, cientes de que o pensamento e ideais de Paulo Freire se renovam a cada dia. Exatamente como queria o grande mestre: re-invenção permanente em busca de “um mundo onde fosse menos difícil amar” ou mais prazeroso viver.

A coordenadora da conferência, Salete, lembrou também que em tempos de globalização, podemos nos apropriar das novas tecnologias, colocando-as a serviço dos excluídos, como acontecia ali: o mundo podia assistir o Fórum Paulo Freire em tempo real.

Danilo Streck, o primeiro a expor, enfantizou que problemas de exclusão permanecerão “... enquanto permanecer a ignorância das classes que tem do seu lado a justiça”. Em seguida, amenizou lembrando Freire: “ nenhuma ordem oprimida resistiria se os oprimidos perguntassem por quê?”. Afirmou ainda ainda que os movimentos populares são lugares inspiradores da prática educacional de Freire e que “a sociedade se re-inventa na margem."

“Suspeito que a transformação vem da periferia, e que nossa desconfiança está virando hipótese. Coisas de mineiro que sou", disse José Eustáquio Romão, dando continuidade à seqüência de exposições. De forma enfática, trouxe a questão das “razões hegemônicas”, européias e norte-americanas, que dominam as pesquisas nos países pós-colonias em detrimento das “racionalidades nativas” e levanta a urgência da recuperação dessas “racionalidades selenciadas”. Com muita esperança na criação e atuação da Universidades dos Movimentos Sociais, que poderá fazer com que a academia reconheça a importância do conhecimento elaborado por esses movimentos e socializado com a humanidade. "Que haja uma inversão de mão."

Coube a Célia Linhares resgatar a amorosidade, tema recorrente em Paulo Freire - “...amorosidade tem vez no mundo” -, uma "mania" deste educador. “É possível fazer um mundo com outro contorno”, declarou emocionada, mas com muita lucidez, continou: “Paulo Freire, acima de outras coisas pensou o nosso pensar". Enfatizou que não podemos e não devemos permitir que o medo nos induza a declinar nossos sonhos, projetos e utopias. Com outras palavras, afirmou que assim está sendo feita a alfabetização de adultos, no Estado do Maranhão.

A surpresa da tarde ficou por conta da presença de Carlos Rodrigues Brandão porque sua apresentação não estava programada naquela conferência. “Lhes trouxe a pessoa de Paulo, seu cotidiano, sua simplicidade”, dizia Brandão, que conviveu muito de perto com o educador. Contou boas e lindas histórias por ambos vividas, lembrou fatos marcantes que denotavam características de sua personalidade. Por exemplo, quando Moacir Gadotti, presidente do Conselho Deliberativo do IPF, quis consultá-lo sobre a possibilidade de fundar com outros companheiros o Instituto Paulo Freire, respondeu: “Se for para me repetir, não! Se for para me superar, faça!”.

“Carregar as pilhas”, foi um dos motivos pelos quais Pep Aparicio justificou sua vinda para a América Latina. Veio tentar entender, perceber o que está acontecendo nos movimentos sociais, sindicais, políticos e entre outros. Deixou uma provocação aos participantes: "Estamos promovendo associação, articulação e cooperação? Do contrário, ´o outro mundo possível estará cada vez mais longe´".



| Agenda |