Entre 9 de março e 7 de abril de 2026, o 2º Encontro Presencial de Assessoria e Formação do Projeto ALFA-EJA Brasil reuniu educadores e gestores de 15 municípios das regiões Norte e Nordeste. A formação envolveu gestores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas Secretarias Municipais de Educação, coordenadores pedagógicos, educadores da EJA do Ensino Fundamental, além de educadores populares e representantes de movimentos sociais.

Os encontros aconteceram nos municípios de Belém (PA), Oiapoque (AP), Carauari (AM), Coari (AM), Fortaleza (CE), Caucaia (CE), Icapuí (CE), Alto do Rodrigues (RN), Conde (BA), São Francisco do Conde (BA), Araçás (BA), Brejo Grande (SE), Santa Luzia do Itanhy (SE), Ipojuca (PE) e Cabo de Santo Agostinho (PE), fortalecendo redes locais de educação e ampliando o diálogo entre territórios diversos.

EJA como direito humano
As Assessorias e Formações foram inspiradas na pedagogia de Paulo Freire e tiveram como tema gerador a “EJA como Direito Humano: práticas contextualizadas, trabalho e articulação territorial”, desenvolvido a partir de dois eixos: Mundo do Trabalho e Práticas Pedagógicas Contextualizadas; e EJA como Direito Humano, Reparação Histórica e Corresponsabilidade Territorial.

“A relevância e a importância dos temas escolhidos foram fundamentais no processo de formação de alfabetizadoras e alfabetizadores, contando sempre com a participação ativa das coordenações pedagógicas da EJA local”, afirma Paulo Roberto Padilha, diretor pedagógico do Instituto Paulo Freire. 

Círculos de Cultura
A formação aconteceu no formato de “Círculos de Cultura”, metodologia inspirada na pedagogia freiriana que valoriza o diálogo e a construção coletiva do conhecimento. Foram realizados quatro círculos temáticos: diálogos com as Secretarias Municipais de Educação; cartografia da EJA e do mundo do trabalho nos territórios; atividades com Teatro do Oprimido (Teatro Fórum); e práticas de corporeidade, arte e estesia.

Os encontros combinaram fundamentos teóricos, atividades de sensibilização e práticas colaborativas, mobilizando os saberes dos participantes e fortalecendo processos formativos criativos e transformadores na educação de jovens, adultos e pessoas idosas.

Reflexões sobre quem participou
Reflexões de quem viveu essa experiência mostram a potência do Encontro. “Eu me sinto privilegiada por fazer parte do Projeto ALFA-EJA Brasil. Essa formação agregou muito na minha vida como educadora. Eu obtive muitos conhecimentos freirianos e vou pôr em prática tudo na minha sala de aula, com mais confiança”, conta Maiara Souza, professora da EJA da Escola Municipal Carlos Roberto dos Santos, em Conde (BA).

A mesma percepção aparece em diferentes territórios e funções. “O Projeto ALFA-EJA Brasil veio fortalecer a formação de professores da nossa rede municipal, em uma perspectiva freiriana. O Encontro foi um ambiente de muita aprendizagem, trocas de saberes e diálogos”, afirma Eliomar dos Santos Rodrigues, técnico em educação da EJA da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza (CE).

Já Conceição Hillesheim, educadora e formadora do Projeto, destaca: “Promovemos a interação entre povos indígenas, quilombolas e da cidade de Oiapoque (AP), em uma imersão na EJA. Sinto-me honrada e gratificada por participar desse encontro em parceria com minha colega, também educadora e formadora do ALFA-EJA Brasil, Márcia Carvalho”.

1o. Encontro Presencial de Assessoria e Formação
O 2º Encontro dá sequência ao caminho iniciado em setembro de 2025, durante o 1º Encontro Presencial de Assessoria e Formação. A ação apresentou os resultados da primeira etapa da Leitura do Mundo realizada em cada município, em abril do ano passado, além dos objetivos e impactos esperados do projeto.

A programação incluiu debates sobre desafios e necessidades formativas da EJA em cada município, depoimentos de educadores e educandos e momentos de convivência que fortalecem vínculos entre os participantes. A avaliação processual e coletiva contribuiu para alinhar expectativas e indicar os próximos passos do projeto. E houve também atividades culturais, com grupos de música e dança.

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