Fórum Social Mundial, no Canadá, discute o poder da mídia

Atividade realizada pelo Coletivo Brasileiro, no Fórum, confirma a manipulação da informação no mundo.

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Por Sheila Ceccon, no FSM-2016 - Canadá

 

     Nesta quarta-feira (10/08), o Coletivo Brasileiro realizou a atividade “Meios de comunicação, poder e democracia”, durante a 12ª edição do Fórum Social Mundial, que tem como tema "Um outro mundo é necessário. Juntos torna-se possível" e acontece em Montreal, no Canadá, até 14 de agosto.


     A mesa de diálogo contou com a participação de representantes de movimentos sociais da França, Palestina, Argentina, Curdistão e Brasil. Todos, a partir da realidade vivida em seus países, falaram sobre a concentração de poder da mídia e de que forma isso tem impactado tragicamente a cultura, a economia e a democracia ao redor do mundo.


     A mídia francesa mobilizou a opinião pública para que houvesse apoio às ações de austeridade em relação à Grécia enquanto a mídia alternativa buscava cultivar a solidariedade entre os povos. Na Palestina, ao mesmo tempo em que a mídia alternativa apoia e divulga o movimento BDS (“boicote, desinvestimento e sanções” a Israel, pelo desrespeito aos Direitos Humanos no território palestino, a mídia tradicional considera todas as ações de resistência como “antissemitas”, tendo taxado desta forma inclusive o FSM. Na Argentina, o tradicional Jornal O Clarim divulga notícias não verídicas pelo mundo e depois de publicadas na imprensa internacional, leva o povo argentino a acreditar nelas. Sua licença de funcionamento foi cassada pelo governo Kirchner, mas seguiu funcionando mesmo assim e trabalhou para que a direita chegasse ao poder; e conseguiu.


     A resistência do povo curdo frente ao bombardeio de suas terras tem sido noticiada pela mídia tradicional como ação terrorista. Jornalistas curdos que noticiaram o que de fato acontece no Curdistão foram assassinados. O mundo segue sendo informado sobre o massacre do povo curdo a partir do “olhar” da grande imprensa turca.


     No Brasil, a maioria da população informa-se por meio da televisão, sendo a Globo a grande concentradora de poder, sem que exista qualquer controle do governo. A manipulação de informações é uma constante. Por outro lado, o atual governo, interino, golpista, colocou em curso um processo de desmonte da mídia pública. Rita Freire, presidente do Conselho da EBC, ressaltou a importância do fortalecimento de relações entre a mídia pública e os movimentos sociais, como resistência ao monopólio da mídia que está dando um golpe no povo brasileiro.


     Para finalizar, foi compartilhado o jogo “efeito 55” que apresenta, de forma lúdica e didática, como a mídia influencia a opinião pública, as manobras políticas para favorecer o golpe no Brasil e a importância dos movimentos sociais. O jogo está disponível para download, gratuitamente em www.efeito55.com.br.