IPF recebe estudantes e professores de Universidade do Canadá

Visitantes conheceram histórias sobre a vida e a obra de Paulo Freire e sua família e também o trabalho dos 26 anos do Instituto Paulo Freire.

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 Estudantes do Canadá em visita ao Instituto Paulo Freire.

 

     Visitaram o Instituto Paulo Freire (IPF), nesta quinta-feira, 4 de maio de 2017, duas professoras do Durham College e da University of Ontario Institute of Technology; 20 estudantes, sendo dez estudantes de mídia (TV / Rádio e Jornalismo) e os outros dez, estudantes de Educação; além de dois integrantes da equipe de produção.


   Os visitantes foram recebidos pelo presidente de Honra do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti; pela diretora Pedagógica da Instituição, Angela Biz Antunes; pela coordenadora de Comunicação do IPF, Janaina Abreu; e pelo filho caçula de Paulo Freire, Lutgardes Costa Freire.

 

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Um dos estudantes contou que fez a leitura da Pedagogia do Oprimido e que as teorias de Paulo Freire ali contidas vão ao encontro do que ele está estudando. E esta viagem é algo sensacional pois estar em grupo, aprender em grupo e não na sala de aula tradicional é conectar-se com o que Paulo Freire disse.


    Outro estudante relatou que ainda está lendo Pedagogia do Oprimido e que como já viveu o racismo, reconheceu em Paulo Freire tudo que sentiu na vida. As palavras lidas no livro lhe dão opções para explicar exatamente o que ele viveu.


     A professora Anna Rodrigues explicou que na volta da viagem, os alunos escreverão histórias, livros, poesias, farão trabalhos e falarão muito sobre Paulo Freire.

 

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 Lutgardes Costa Freire

    Muitas histórias sobre a vida, o trabalho, a obra de Paulo Freire e sua família foram contadas durante mais de uma hora, por Lutgardes Costa Freire. Sobre o período de exílio, falou, especialmente, do Chile, país que foi um “fantástico laboratório” para Paulo Freire dar continuar ao seu método e escrever, em 1968, a Pedagogia do Oprimido.


  Naquele país também, Lutgardes contou que, um dia, por volta de 1966, Paulo Freire caminhava pelas ruas de Santiago com um amigo chileno e colocou a mão em seu ombro. O amigo ficou constrangido. Paulo Freire perguntou o que havia e o amigo disse que no Chile aquilo era incomum. Paulo Freire pensou: “há algo estranho com a cultura deste povo”. Muitos anos mais tarde, quando foi trabalhar no Conselho Mundial das Igrejas, na Suíça, Paulo Freire visitou vários países africanos. Na Tansânia, após sua palestra, saiu para caminhar com um amigo tanzaniano que passou a andar de mãos dadas com ele. Paulo Freire ficou constrangido e pensou: “há algo estranho com a cultura do meu povo”.

 

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 Moacir Gadotti

    Na sequência, Moacir Gadotti apresentou as Bibliotecas de Paulo Freire antes e depois do exílio; mostrou a mesa onde Paulo Freire trabalhou quase toda sua vida e alguns objetos pessoais.


   Assim como Lutgardes, Gadotti também contou alguns momentos que passou ao lado do educador. Disse que em 1989, estava almoçando na casa de Paulo Freire quando um jornalista da Folha de São Paulo ligou e disse: “Os berlinenses tombaram o muro de Berlim. O socialismo acabou”. E Paulo Freire corrigiu: “A face autoritária do socialismo acabou. Vamos celebrar, pois podemos construir o socialismo com liberdade”. Gadotti revelou que Paulo Freire amava a democracia. Para ele, o socialismo era sinônimo de radicalização da democracia.


    Sobre tecnologia, o professor Gadotti relatou que um dos primeiros textos de Paulo Freire, chamava-se “Humanismos e tecnologia”. “Ele importou da Polônia projetores para trabalhar com slides. Era o que havia de mais avançado em tecnologia”. Numa outra passagem interessante, contou que o neto de Paulo Freire, que mora atualmente em Ontário, no Canadá, criou o primeiro website do Instituto Paulo Freire. Quando mostrou para o avô tudo pronto, com fotos, textos, a reação de Paulo Freire foi dizer: “Daqui para frente teremos dois tipos de gente: as que tem acesso e as que não tem acesso”.


    Segundo Gadotti, Paulo Freire dizia que o software não é neutro, porque, para Freire, não leva em conta a realidade social. “Sua preocupação era fazer com que a tecnologia servisse à emancipação. Nós podemos fazer alguns atos políticos com a tecnologia. No Instituto Paulo Freire, usamos o software livre, não proprietário, por exemplo.”


   Gadotti ainda contextualizou os estudantes sobre a conjuntura política do Brasil. “Vivemos uma guerra ideológica na mídia. Fizemos uma greve geral com 30 milhões de pessoas, na semana passada. A mídia comercial mostrou apenas o vandalismo. A mídia é uma arma contra os direitos humanos."


    Ele finalizou sua fala dizendo que Paulo Freire não deixou discípulos como seguidores de ideias. “Ele queria ser reinventado. Temos que reinventá-lo no século XXI. Esse é o nosso desafio e missão do Instituto Paulo Freire”, concluiu Gadotti.

 

    Na sequência, Angela Biz Antunes apresentou o Instituto Paulo Freire, falou das experiências realizadas pelo IPF relacionadas as áreas de atuação, apresentou o Acervo Paulo Freire e os estudantes fizeram, então, inúmeras perguntas sobre a Instituição.

 

    Todos receberam de presente o livro Education for Sustentability, de Moacir Gadotti, publicado pela Editora do Instituto Paulo Freire. As professoras também foram presenteadas com diversas publicações sobre Paulo Freire para a biblioteca da Universidade. A equipe do Instituto recebeu um cartão assinado por todos os alunos. Autógrafos, fotos, troca de saberes e muitos agradecimentos encerraram a visita.

 

 

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Gadotti presenteou as professoras com livros e elas entregam cartão assinado pelos estudantes para a equipe do IPF.